sábado, 7 de setembro de 2013

O correto é “presidente” ou “presidenta”?



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Muito tem se discutido, atualmente, sobre o uso da palavra ‘presidenta’. Alguns alegam que a palavra é errada, enquanto outros dizem que seu uso é perfeitamente correto. Outros, mais conciliadores, afirmam que ambas as palavras estão corretas. Antes de explicarmos, vale fazer algumas considerações.

A palavra ‘presidente’ é um substantivo comum de dois, podendo ser utilizada tanto para o masculino quanto para o feminino. Palavras com sufixo –ente, tais como ‘presidente’, ‘gerente’ e ‘paciente’, por exemplo, são comum de dois, sendo utilizada para ambos os sexos. O que identifica o masculino ou o feminino é o uso do artigo definido ‘o’ ou ‘a’.
Dessa forma, se estivermos nos referindo a um homem diremos ‘o presidente’, ‘o gerente’, ‘o paciente’. Se estivermos nos referindo a uma mulher dizemos ‘a presidente’, ‘a gerente’, ‘a paciente’. Não utilizamos, por exemplo, as palavras ‘gerenta’ ou ‘pacienta’. O mesmo vale para ‘estudante’. Dizemos ‘o estudante’ ou ‘a estudante’. Jamais dizemos ‘a estudanta’.
Por este raciocínio, a utilização da palavra ‘presidenta’ é desnecessária.

Porém, ‘presidenta’ seria uma flexão do substantivo, o que igualmente é considerado correto. É o que acontece com ‘infante’, por exemplo, cujo feminino é ‘infanta’. Na língua portuguesa, vários substantivos são flexionados para o feminino, enquanto outros, não.
O que ocorre é que a flexão ou não decorre de vários fatores, tais como a ‘eufonia’. De acordo com o princípio da eufonia, utilizamos ou não determinadas palavras conforme sua sonoridade nos agrade ou não. Palavras cujos sons consideramos agradáveis passam a serem usadas; as que nos desagradam, são descartadas.
Por isso, muitos substantivos são flexionados, enquanto outros não.

No caso de ‘presidente’ ou ‘presidenta’, ambas as palavras estão dicionarizadas e,  portanto, são consideradas corretas. Podemos dizer ‘a presidente Dilma’ ou ‘a presidenta Dilma’, indiscriminadamente.
Particularmente, prefiro utilizar ‘a presidente’. Porém, não podemos condenar aqueles que utilizam ‘a presidenta’.

Utilize uma ou outra de acordo com sua preferência, utilizando o princípio da eufonia, por exemplo. Veja qual lhe agrada mais. Ou, então, utilize as duas sem pensar que está incorrendo em algum erro.  

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

O vício do gerundismo


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Gerundismo é o nome adotado para o que se considera um uso inadequado do gerúndio.
O uso inadequado do gerúndio disseminou-se por intermédio, principalmente, de operadores de telemarketing, disseminando-se, posteriormente, para várias áreas.
Isso tem gerado duas reações distintas em relação ao gerúndio: o seu uso desmedido, mesmo quando não é apropriado, ou uma espécie de recusa em utilizar o gerúndio, como se ele fosse algo incorreto na língua, devendo ser evitado.

Nem 8 nem 80, como diriam os mais antigos. Em alguns casos, faz-se necessária a utilização do gerúndio, pelo fato de ele expressar corretamente o que queremos dizer.

O gerúndio é uma forma nominal do verbo, constituído por um verbo auxiliar e um verbo com a terminação NDO.
Utiliza-se o gerúndio quando queremos dar a ideia de ação em andamento, ação contínua ou concomitante a outra ação.

Ex.: Estamos pesquisando a obra de Fernando Pessoa.
       Um aluno vai pesquisando, enquanto o outro redige o texto.
       José está dormindo.
       Estou almoçando.
       Estou ouvindo música enquanto trabalho.

Deve-se evitar o gerúndio com verbos de ação que não necessitam da noção de continuidade que o gerúndio expressa, por especificarem ações rápidas e pontuais.

Além disso, é desnecessário o uso do gerúndio para substituir o Futuro do Presente.

Ex.: Vou estar transferindo sua ligação. (errado)
       Vou transferir sua ligação. (correto)

       Vou estar aguardando sua chamada. (errado)
       Vou aguardar sua chamada. (correto)

       Vou estar enviando o livro pelo correio. (errado)
       Vou enviar o livro pelo correio. (correto)

       Vou estar confirmando seu pedido. (errado)
       Vou confirmar seu pedido. (correto)

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O correto é “vou me esforçar” ou “vou se esforçar”?



Entrevistas com jogadores e técnicos de futebol dão um bom material para se trabalhar a língua portuguesa.
Outro dia, assistindo a uma entrevista, ouvi a seguinte frase do jogador, falando sobre o seu desempenho: “(...) vou se esforçar mais (...)”.
Afinal: o correto é “vou me esforçar” ou “vou se esforçar”?  

Tanto o pronome “me” quanto o pronome “se” (ou “si”) são pronomes pessoais do caso oblíquo.

A principal diferença entre os pronomes retos e oblíquos é que os pronomes retos (eu, tu, eles etc.) funcionam, geralmente, como sujeitos da oração, enquanto os pronomes oblíquos (me, mim, se, si, te, ti etc.) funcionam como objetos ou complementos.

A diferença entre “me” e “se” é que o primeiro é utilizado para a primeira pessoa do singular, enquanto o segundo é utilizado para a terceira pessoa.

Ex.: Eu vou “me” esforçar mais. (eu – 1ª pessoa do singular)
       Ele vai se esforçar mais. (ele – 3ª pessoa do singular)

Ou seja: quando se referir a você mesmo, utilize “me”; quando se referir a outra pessoa, utilize “se”.

No caso do jogador, a frase correta deveria ser: “(...) vou “me” esforçar mais (...)”. 

 

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

O correto é “chego” ou “chegado”?

Verbos abundantes são aqueles que apresentam mais de uma forma para o particípio, como é o caso dos verbos salvar (salvado e salvo) e aceitar (aceitado e aceito), por exemplo.

Verbos como “chegar” não são abundantes, portanto, apresentam uma única forma para o particípio.

No caso do verbo “chegar”, a forma correta é “chegado”.

Ex.: Eu tinha “chegado” atrasado à festa.
       Eu tinha “chegado” cedo para a prova.

“Chego” é a forma utilizada para a 1ª pessoa do singular do presente do indicativo.

Ex.: Eu sempre “chego” cedo aos meus compromissos.

Obs.: o fato de utilizarmos a primeira pessoa do singular (eu) com o particípio, pode causar a confusão na hora de utilizar o verbo, já que a forma “chego” pertence à primeira pessoa.

Ex.: Eu tinha “chegado” atrasado à festa. (correto)
       Eu tinha “chego” atrasado à festa. (incorreto)
  

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Você já viu um “abantesma”?

Apesar de parecer um pouco estranha e de praticamente não ser usada, “abantesma” refere-se a uma ‘alma de outro mundo’, ou seja, um fantasma.
Outros nomes que são utilizados para referir-se a um fantasma:

- alma
- espírito
- espectro
- aparição
- visagem
- assombração

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

“Mim preparando” ou “me preparando”?

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Outro dia, recebi uma postagem no Facebook que dizia mais ou menos assim: “estou mim preparando para jogar uma pelada...”.

O correto é “mim preparando” ou “me preparando”?

Ambos, “me” e “mim”, são pronomes pessoais do caso oblíquo e, em uma oração, têm a função sintática de objeto ou complemento.
A diferença entre eles é que o pronome “me” completa o sentido de um verbo sem a necessidade de preposição, ao passo que o pronome “mim” necessita de uma preposição para completar o sentido de um verbo.

Ex.: João deu o livro para mim. (deu = verbo; para = preposição; mim = pronome oblíquo)

ou

João me deu o livro. (me = pronome oblíquo; deu = verbo)

Outro exemplo:

Maria pediu para mim.

Maria me pediu.

Nota:

1) o pronome “me”, geralmente, vem antes do verbo (me pediu, me deu, me falou). Quando vem depois do verbo, utiliza-se ‘hífen’ (pediu-me, deu-me, falou-me).

2) o pronome “mim”, é utilizado depois do verbo, antecedido por preposição (pediu a mim, pediu para mim, deu a mim, deu para mim etc.).
      
Desta forma, a construção correta da frase citada no início seria:

“estou me preparando para jogar uma pelada...”

ou

“estou preparando-me para jogar uma pelada...”


sábado, 3 de agosto de 2013

Por que as pessoas não pronunciam o “erre” dos verbos no infinitivo?

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Ultimamente, temos presenciado uma situação que vem se tornando cada vez mais frequente na língua portuguesa: a eliminação da letra “erre” (-r) nos verbos infinitivos.
Na Língua Portuguesa temos três conjugações que se agrupam em conformidade com a terminação do infinitivo:

- verbos da 1ª conjugação, terminados em –ar: cantar, dançar, falar.
- verbos da 2ª conjugação, terminados em –er: beber, comer, correr.
- verbos da 3ª conjugação, terminados em –ir: sair, partir, cair.

Obs.: o verbo “pôr” pertence à 2ª conjugação, uma vez que sua origem latina era “poer” (daí temos poedeira, poente etc.).

O infinitivo é uma das ‘formas nominais’ do verbo, e é usado quando queremos indicar algo de modo vago, impreciso, impessoal. Virá acompanhado de um verbo auxiliar.

Ex: João vai plantar feijão. (vai: verbo auxiliar; plantar: verbo no infinitivo)
      Maria foi visitar uma amiga. (foi: verbo auxiliar; visitar: verbo no infinitivo)

Contudo, o que vemos atualmente é que as pessoas omitem esse “erre” no final do verbo.

Ex.: João vai planta. (pronuncia-se plantá)
       Pedro foi bebe. (pronuncia-se bebê)
       Maria vai come. (pronuncia-se comê)
       Ana vai sai. (pronuncia-se saí)

Mesmo em casos em que não ocorre um verbo, isso acontece. Outro dia, no Facebook, alguém queria saber qual seria o “placa” de um jogo. No caso, ele queria mesmo era saber qual seria o “placar” do jogo. “Placa” é um instrumento de sinalização utilizado no trânsito e em lojas, por exemplo. “Placar” é o resultado de um evento esportivo.

Vemos esse equívoco ser utilizado tanto na linguagem oral quanto escrita. Portanto, cuidado quando pronunciar ou escrever palavras que terminem em –r. Na linguagem oral, muitas vezes soa estranho; na escrita, pode causar confusão para quem lê.