sexta-feira, 24 de agosto de 2012

QUE ou QUÊ?


A palavra QUE pode ser classificada de várias formas, sendo advérbio, conjunção, interjeição, preposição, pronome, substantivo.

QUÊ será acentuada quando for interjeição, vier em final de frases ou for substantivo.

1. Quando for interjeição: nesse caso, exprimirá espanto, admiração etc. Virá sempre acentuada e seguida de exclamação.
Ex.: Quê! Você já chegou?
O quê! Ele fez isso?

Obs.: Quando QUE não vier no final da interjeição, não será acentuada.
Ex.: Que calor!

2. Quando vier em final de frases, seguida por ponto (final, interrogação ou exclamação) ou reticências:
Ex.: Você veio fazer o quê?
Você está rindo de quê?

3. Quando for substantivo, tendo o sentido de alguma coisa, qualquer coisa, etc. Geralmente virá precedido de um artigo ou numeral:
Ex.: Sinto um quê de insatisfação de sua parte.

QUÊ não será acentuado quando for advérbio, conjunção, partícula expletiva, preposição.

1. Quando for advérbio, equivalendo a quão. Se ligará a um adjetivo ou advérbio;
Ex.: Que longe é sua casa!
Que bom encontrá-lo!

2. Quando for conjunção coordenativa (liga orações sintaticamente independentes).
2.1. Equivale a e nas aditivas: As folhas caem que (e) caem.
2.2. Equivale a ou... ou, nas alternativas: Que (ou) chova, que (ou) faça sol, irei à praia.
2.3. Equivale a mas nas adversativas: Repreenda-os, que (mas) não a mim.
2.4. Equivale a porque nas explicativas: Vamos embora, que (porque) está tarde.

3. Quando for partícula de realce ou expletiva. A partícula expletiva é usada apenas para realçar algo. Pode ser retirada da frase, sem que altere o sentido ou a função dos demais elementos da oração.
Ex.: Quase que não consigo viajar. (Quase não consigo viajar.)

4. Quando for pronome. Divide-se em:
4.1. Pronome adjetivo (acompanha o substantivo): Que horas são?
4.2. Pronome substantivo indefinido ou interrogativo (equivale a que coisa): Que (coisa) aconteceu?

5. Quando for preposição. Nesse caso, equivalerá a de ou ligará dois verbos de uma locução verbal, cujo verbo auxiliar é ter.
Ex.: Antes que (de) tudo, precisamos comprar as passagens.
Tenho que (de) terminar este trabalho.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

“Através” ou “por meio de”?


É muito comum ouvirmos frases do tipo: “Consegui o emprego através de meu cunhado” ou “Consegui os ingressos através de meu primo”.
Atualmente, através é utilizada com o sentido de ‘por meio de’, como nos exemplos acima.

Através tem o significado de ‘transversalmente, de lado a lado’.
Deve ser usado com o sentido de ‘pelo interior de’. Ex.: Ele caminhou através da floresta.
Também pode ser usado no sentido de ‘no decorrer de’. Ex.: “A encenação da Paixão de Cristo é uma tradição que permanece através dos anos”.
Também possui o sentido de ‘por entre’. Ex.: Vi Cristina através da cortina.

Assim, apesar de não ser considerado incorreto, prefira a expressão por meio de quando se referir a pessoas. Dessa forma, teríamos as seguintes frases:

“Consegui o emprego por meio de (ou por intermédio de) meu cunhado”.
“Consegui os ingressos por meio de (ou por intermédio de) meu primo”.

sábado, 11 de agosto de 2012

Uso do Pretérito Perfeito, Pretérito Imperfeito e Pretérito Mais-Que-Perfeito


É muito comum alguns professores dizerem aos alunos que o tempo passado se divide em pretérito perfeito, imperfeito e mais-que-perfeito, mas não explicarem o uso correto de cada tempo, limitando-se a fazer com que os alunos apenas decorem as conjugações de cada um.




· O Pretérito Perfeito é utilizado para indicar uma ação já concluída.

Ex.: João chegou de viagem.


· O Pretérito Imperfeito é utilizado para indicar uma ação não concluída, que dá uma ideia de continuidade.

Ex.: Ele sempre chegava atrasado.


· O Pretérito Mais-Que-Perfeito é utilizado para indicar uma ação que foi concluída antes de outra ação também já concluída.

Ex.: Quando eu cheguei (pretérito perfeito), ela já saíra (pretérito mais-que-perfeito).


Obs.: Atualmente, tem-se utilizado uma locução verbal em substituição ao pretérito mais-que-perfeito.

Ex.: Quando eu cheguei, ela já tinha saído.

domingo, 5 de agosto de 2012

A confusão entre os verbos “ver” e “vir”


Os verbos “ver” e “vir” causam muita confusão ao serem empregados no futuro do subjuntivo.

Observe os exemplos:

a) Quando você o vir, diga que quero falar com ele. (verbo ver)
b) Quando você vier, conversaremos. (verbo vir)

No primeiro caso, é muito comum ouvirmos a frase “Quando você o ver, diga que quero falar com ele”.

No Futuro do Subjuntivo, o verbo ver terá a seguinte conjugação: quando eu vir, quando tu vires, quando ele/ela vir, quando nós virmos, quando vós virdes, quando eles/elas virem.
Já o verbo vir será conjugado da seguinte forma: quando eu vier, quando tu vieres, quando ele/ela vier, quando nós viermos, quando vós vierdes, quando eles/elas vierem.

Observação: os verbos derivados de ver e vir seguem o mesmo modelo: rever, antever, intervir, convir, etc.

Também ocorrem dúvidas no uso dos verbos ver e vir no presente do indicativo e no pretérito perfeito do indicativo, já que ambos usam a mesma forma na 1ª pessoa do plural. Veja os exemplos abaixo:

a) Nós vimos porque queremos falar com você. (vir - presente do indicativo)
b) Nós vimos quando você chegou! (ver - pretérito perfeito do indicativo)

sexta-feira, 27 de julho de 2012

O uso dos verbos no infinitivo


Os verbos dividem-se em três modos: indicativo, imperativo e subjuntivo. Entretanto, além desses três modos, temos também as formas nominais do verbo, que são o infinitivo, o gerúndio e o particípio. As formas nominais, simplesmente, enunciam um fato de maneira vaga, imprecisa ou impessoal.
No caso do infinitivo, os verbos apresentam três terminações diferentes: ar, er, ir, como em andar, vender, cair.

Ex.:

* Ele irá vender a casa. (não se sabe quando essa venda ocorrerá e nem para quem a casa será vendida).

* Tome cuidado para não cair! (não se sabe se a pessoa, realmente, irá cair, apenas existe essa possibilidade).

 
Obs.: atualmente, é muito comum as pessoas pronunciarem ou escreverem os verbos no infinitivo omitindo o “r” final. Nesse caso, as frases ficam assim:

Ele irá vende a casa. (pronuncia-se vendê)

Tome cuidado para não cai! (pronuncia-se caí)

* Todos os verbos no infinitivo terminam com a letra “r”: cair, comer, vender, plantar, beber, dormir etc.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

As ‘pérolas’ do futebol


O mundo do futebol rende diversas “pérolas” no tocante à língua portuguesa, tanto por parte dos jogadores e dos técnicos quanto por parte de alguns locutores e comentaristas. Eis algumas delas:

“O jogador entrou pra dentro da área”.

* ‘Entrar pra dentro’ é um pleonasmo. Bastaria dizer ‘entrou na área’.


“Eu entrei na área e se joguei”.

* Um jogador proferiu essa frase ao confessar que tentou cavar um pênalti. Mas, tirando a honestidade (que é louvável), ‘pisou na bola’ no que concerne à língua portuguesa. O pronome pessoal do caso oblíquo se refere-se à 3ª pessoa, tanto no singular quanto no plural. É utilizado quando nos referimos a uma outra pessoa, por exemplo, ‘Ele se jogou’. Quando nos referimos a nós mesmos, usamos o pronome pessoal do caso oblíquo me. Ex.: ‘Eu me joguei’.


“Conto com a assistência dos laterais e dos meia”.

* O certo seria: “conto com a assistência dos laterais e do meia” (se apenas um jogador fizer essa função) ou “conto com a assistência dos laterais e dos meias” (se dois ou mais jogadores fizerem essa função). A contração do (preposição de + artigo o) deverá concordar com o substantivo ao qual se refere.


“Bola meia que na frente da área”

* Frase proferida por um jogador em relação a uma bola que estaria posicionada mais ou menos na frente da área. Ele tentou fazer a concordância de ‘bola’, um substantivo feminino, com a palavra ‘meia’, usada também no feminino, segundo ele. Mas, no caso, a palavra correta seria meio, indicando uma provável posição da bola em campo. Meia indicaria metade, ou seja, apenas metade da bola estaria na frente da área. A frase correta seria “Bola meio que na frente da área”, ou seja, “Bola mais ou menos na frente da área”.


“A equipe ainda não foi definida pelo técnico”

* Geralmente, os repórteres esportivos utilizam essa frase quando o técnico de uma das equipes não libera a escalação do time. Porém, o verbo definir refere-se, de acordo com o Dicionário Houaiss, a “delimitar alguma coisa; estabelecer com precisão, determinar; explicar o sentido”. A equipe só seria definida se o técnico explicasse como ela é: quantos jogadores ela tem, a posição de cada um etc. Para esta frase, o correto seria utilizar o verbo escalar. Ex.: “A equipe ainda não foi escalada pelo técnico”.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Dúvidas comuns da Língua Portuguesa

A Língua Portuguesa apresenta algumas palavras e/ou situações que causam confusão entre os falantes da língua, sendo utilizadas de várias maneiras diferentes. Vejamos algumas delas.


O correto é cabeleireiro(a), e não cabelereiro(a).

O correto é caranguejo, e não carangueijo.

O correto é “Eu trouxe o livro”, e não “Eu truxe o livro”.

O correto é “A gente chegou” ou “Nós chegamos”, e não “A gente chegamos”. O termo “A gente” é singular.

O correto é “O menino” ou “Os meninos”, e não “Os menino”. Adjetivos, verbos e artigos acompanham o substantivo (no caso, menino). Se o substantivo estiver no plural, todos os termos citados acima vão para o plural; se o substantivo estiver no singular, todos os termos citados acima vão para o singular.

* Se você tiver dúvidas, mande um e-mail para chicospike@hotmail.com.