quarta-feira, 29 de maio de 2013

Assassinando a Língua Portuguesa

Em diversos lugares do Brasil, vemos a Língua Portuguesa ser maltratada. Alguns ‘erros’ podem até ser considerados ‘aceitáveis’, mas outros são extremamente absurdos para serem aceitos. E, depois, vemos os comerciais do Governo mostrando-nos a “excelência” da educação que vem sendo realizada. 

Vejamos alguns exemplos tirados de placas, faixas etc., espalhados pelo Brasil, com as devidas correções. 


1- Espaço da beleza


2- Kit completo




3- Oficina mecânica 




Nos próximos dias, exibiremos mais exemplos.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

“Era” ou “eram”?

O verbo “ser” oferece uma especial dificuldade em alguns casos do plural. Essa dúvida pode ser tirada aplicando-se uma regra simples: se o sujeito for uma pessoa, a concordância é feita com o sujeito, e não com o predicativo; se o sujeito não for uma pessoa, a regra não se aplica.

Ex.: Mônica “era” só elogios. – o verbo concorda com o sujeito, Mônica – singular.
       A vida “eram” só rosas. – o verbo concorda com o predicativo (rosas) – plural.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

“À medida que” e “Na medida em que”

Há muita confusão entre as conjunções ‘à medida que’ e ‘na medida em que’.

“À medida que” é uma conjunção subordinativa proporcional, ou seja, dá a ideia de proporção, enquanto “na medida em que” é uma conjunção subordinativa causal, é dá a ideia de causalidade, de consequência.

“À medida que” pode ser substituída por ‘quanto mais’, ‘à proporção que’.

Ex.: “À medida que” se vive, mais se aprende. (“Quanto mais” se vive, mais se aprende.)

“Na medida em que” pode ser substituída por ‘porque’, ‘desde que’, ‘já que’.

Ex.: “Na medida em que” não conseguiu obter lucro, a empresa mudou sua estratégia de vendas. (“Já que” não conseguiu obter lucro, a empresa mudou sua estratégia de vendas.)

Obs.: Não se utilizam as formas: ‘na medida que’ e ‘à medida em que’.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Prever o futuro: quando o verbo não combina com o substantivo

É muito comum lermos ou ouvirmos frases, inclusive em propagandas da televisão, que dizem que alguém é capaz de “prever o futuro”. Até aí, nada de mais. Interessante seria alguém que pudesse prever o passado ou o presente!

No dicionário Houaiss, o verbete ‘prever’ é definido como “ter ideia antecipada de; presumir, antever; perceber (fatos futuros) por meios sobrenaturais; adivinhar; analisar, examinar com antecedência; fazer supor; subentender, pressupor”. Ou seja, ‘prever’ já significa antecipar (seja por quais meios forem, sobrenaturais ou não) algo que irá ocorrer, portanto, algo futuro.

Assim, em vez de usar “prever o futuro”, evite a redundância e construa frases como nos exemplos abaixo:

Ex.: João é capaz de prever acontecimentos.
      João é capaz de fazer previsões.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

A tendência dos brasileiros ao pleonasmo

Outro dia, assistindo a um jogo de futebol, ouvi está ‘pérola’ do narrador: “o jogador entrou dentro da área”.

É muito comum, na comunicação oral, o uso de pleonasmos. O pleonasmo caracteriza-se pela utilização de um termo desnecessário para o bom entendimento da oração.

Exemplos de pleonasmos mais utilizados:

Maria subiu pra cima. – basta dizer: Maria subiu. (só se sobe para cima)
Pedro desceu pra baixo. – basta dizer: Pedro desceu. (só se desce para baixo)
Sônia saiu pra fora. – basta dizer: Sônia saiu. (só se sai para fora)
João entrou pra dentro. – basta dizer: João entrou. (só se entra para dentro)
Carol teve uma hemorragia de sangue. – basta dizer: Carol teve uma hemorragia. (hemorragia só pode ser de sangue)
Ambos os dois saíram. – basta dizer: Ambos saíram. (ambos já dá a ideia de dois)

A tempo: o narrador poderia ter dito apenas que “o jogador entrou na área”.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

“Ao norte” ou “no norte”?

Muitas pessoas consideram que podemos utilizar qualquer palavra ou termo para dizermos o que pretendemos. Porém, o uso indevido de uma palavra ou de um termo pode distorcer o sentido da frase, fazendo com que o ouvinte ou leitor fique em dúvida sobre o seu significado.

Em uma emissora de TV, a “moça do tempo” saiu-se com essa: “Ao norte do Brasil, haverá chuva intensa e muito calor no período”.

“Ao norte do Brasil” ou “no norte do Brasil”?

Só para constar, os estados que compõem a região norte do Brasil são: Amazonas, Acre, Rondônia, Roraima, Pará, Amapá e Tocantins.

“No norte” refere-se aos Estados integrantes desta região. “Ao norte” refere-se ao que está além desta região.

Ex.: O Amazonas é um estado da região norte, está na região norte.

Colômbia, Venezuela e Suriname estão “ao norte” do Brasil, fora do país.

Portanto, ao dizer que ‘haverá chuva “ao norte” do Brasil’, a moça do tempo estava dizendo, mesmo que inocentemente, que choveria nos países que se encontram além de nossa fronteira norte.

Se ela queria dizer que iria chover nos estados do norte do país, deveria ter dito que “no norte do Brasil, haverá chuva intensa e muito calor no período”.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Que ou qual? Qual devemos usar?

Observa-se, principalmente entre os alunos do Ensino Médio, o uso excessivo do pronome relativo “qual”, substituindo o pronome relativo “que”. Em relação a textos bem escritos, como alguns textos jornalísticos, por exemplo, não se observa esta substituição com tanta frequência, preferindo-se o uso do pronome “que”.

Geralmente, os alunos preferem utilizar o pronome “qual” e suas variantes (o qual, a qual, os quais, as quais) para ter certeza de que não errarão na concordância.

Os pronomes relativos substituem nomes já referidos anteriormente, permitindo unir duas orações em uma só.

Por exemplo, as duas orações abaixo:

“Em uma boa biblioteca não deverão faltar livros de qualidade. Os livros deverão ficar à disposição dos leitores”.

As duas orações podem ser transformadas em uma só

“Em uma boa biblioteca não deverão faltar livros de qualidade, “os quais” deverão ficar à disposição dos leitores”.

Como já dissemos acima, os alunos, geralmente, utilizam o pronome “qual” para ter certeza de que não errarão na concordância (o nome “livros” é substituído pelo pronome “os quais”, ficando ambos no masculino plural). Porém, em casos como este, o uso do pronome “que”, além de correto, é preferível.

“Em uma boa biblioteca não deverão faltar livros de qualidade, “que” deverão ficar à disposição dos leitores”.

Porém, em alguns casos, principalmente quando ocorre uma ambiguidade, deve-se utilizar o pronome “qual”.

Vejamos um exemplo:

Há alguns anos, a Unicamp propôs a seguinte questão no vestibular, perguntando se havia ambiguidade no texto e como essa ambiguidade poderia ser corrigida:

“E se os russos atacassem agora? – perguntou Judith Exner, uma das incontáveis amantes de Kennedy “que” mantinha simultaneamente um romance com o chefão mafioso Sam Giancana”.

Neste caso, o uso do “que” gera uma ambiguidade, pois não se sabe se quem mantinha um romance com o chefão mafioso era Judith Exner ou Kennedy. Essa ambiguidade pode ser eliminada utilizando-se o pronome “qual”.

“E se os russos atacassem agora? – perguntou Judith Exner, uma das incontáveis amantes de Kennedy “a qual” mantinha simultaneamente um romance com o chefão mafioso Sam Giancana”.

Neste caso, o uso de “a qual” elimina a dúvida sobre quem mantinha o romance com o mafioso. Se fosse Kennedy quem tivesse o romance, utilizaríamos “o qual”.

Nos demais casos, deve-se preferir o uso do pronome “que”.